quinta-feira, 23 de julho de 2009

introdução do texto "BAKUNISMO"


O Bakuninismo: elementos de um programa anarquista

Por trás do termo ‘anarquismo’ existe uma diversidade imensa de correntes. Coletivistas, individualistas, anarco-comunistas, anarco-sindicalitas, todos se reúnem sobre um mesmo termo, que, como já dizia um ditado citado constantemente por Bakunin, “se muito abraça, mal abarca”.

A história do anarquismo foi construída em grande parte visando percorrer a unidade, o que havia de comum, de harmonia entre os anarquistas de todos os tempos e de todas as correntes. Esta busca daquilo que pudesse unir e dar sentido ao termo ‘anarquismo’ acabou por desmerecer ou, pelo menos, subestimar as diferenças e a especificidade de cada corrente.

Torna-se extremamente falho acreditarmos que podemos extrair algumas partes do pensamento de cada corrente, isolando esta parte do todo, e assim chegar à compreensão do anarquismo. Isolar partes de um pensamento é tirá-lo de seu contexto e perder a possibilidade de compreensão de sua totalidade. Pois, muitos elementos do pensamento de uma corrente só têm sentido dentro da totalidade do pensamento desta corrente, isolados, se transformam em outra coisa.

Um exemplo disto é a idéia de liberdade individual, que para muitos historiadores do anarquismo, seria um princípio do anarquismo. Para os coletivistas, a liberdade do indivíduo é um produto coletivo, e, assim, só pode existir na sociedade e pela revolução da sociedade. Já os individualistas, quando falam em liberdade do indivíduo, falam em uma oposição entre indivíduo e sociedade e tratam toda coletividade como autoritária. Neste sentido, que princípio é este do anarquismo? Embora as palavras são as mesmas, “liberdade individual”, não se trata da mesma coisa. O conceito de liberdade, assim como vários outros conceitos, só podem ser compreendidos no interior do pensamento total de cada corrente do anarquismo, sem isolá-los de seu contexto e de seus nexos.

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